sábado, 9 de julho de 2011

O NAMORO (Parte 2)

CÂNTICO DOS CÂNTICOS DE SALOMÃO 1:1 - 3:5 
O rei responde usando a imagem do lírio e comparando-a com essa flor do meio de espinhos! Então, ela responde comparando-o com uma bela macieira no bosque, sob a qual ela pode se assentar e se proteger do sol (1 :6) e cujos frutos a sustentam. Seria estranho encontrar uma macieira no meio de um bosque qualquer, de modo que a sulamita está declarando que ele também é singular.
Salomão não se envergonha de seu amor por ela, demonstrando-o como quem exibe um estandarte num exército. "Ele deve me amar", pensa consigo mesma a sulamita, "pois me trouxe para este banquete e não tem vergonha de ser visto junto comigo".
Porém, a própria ideia de ser amada por uma pessoa tão importante a faz desfalecer, e ela pede maçãs e bolos de passas para recobrar as forças. Em 2:6, ela antevê a consumação do casamento ("A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace"), mas sabe que deve esperar pelo momento apropriado. Por isso, ela admoesta as mulheres de Jerusalém que a acompanham a não se entregarem apressadamente ao amor e ao casamento, mas que esperem pelo tempo certo. O próprio Salomão escreveu que há um "tempo de amar" (Ec 3:8). Ela volta a lhes dar essa orientação em 3:5, 5:8 e 8:4. O verdadeiro amor não é algo que criamos para nós mesmos, mas sim algo que o Senhor desenvolve dentro de nós quando encontramos a pessoa certa na hora certa.[ 5 ]. O verdadeiro amor é como uma aventura no campo (2:8-17).
Depois do banquete, o rei sai de cena e supomos que a sulamita é acompanhada de volta para casa em segurança por alguns dos cortesões. Ela retoma a vida normal, mas seus ouvidos e olhos estão sempre alertas para a volta de seu amado. E é exatamente o que acontece! Um dia, enquanto ela está na casa de seus irmãos, ouve a voz do amado e o vê vindo em sua direção como um lindo antílope ou gamo, saltando todos os obstáculos entre ele e sua amada.
Ele se detém diante do muro que protege a casa, olha para sua amada pela janela de treliça e, por duas vezes, a convida: "levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem" (vv. 10, 13).[ 6 ]
Esse convite é repetido em 4:8, e, mais adiante, a própria sulamita faz esse convite ao seu amante (7:11; 8:14).
"Vem" é a mais essencial palavra do evangelho da graça de Deus. É o convite amoroso de Deus aos cansados que precisam de repouso (Mt 11 :28-30), os que se encontram manchados pelo pecado e que precisam de purificação (Is 1 :18), os famintos que precisam de alimento (Lc 14:17) e todos os sedentos pela água da vida (Ap 22:17).
Mas "Vem" também é o convite do Senhor para seu próprio povo: "Vinde e vede" (Jo 1 :39), "Venha a mim e beba" (Jo 7:37,38), "Vinde, comei" (Jo 21 :12).
Neste texto, o rei convida sua amada a sair de casa e a gozar com ele uma aventura no campo.
O amor não é apenas um banquete de delícias, mas também uma aventura. Para que o amor se desenvolva, deve haver expressões espontâneas de afeição. É o começo da primavera, e as últimas chuvas cessaram. As flores estão se abrindo, os pássaros estão cantando e as vinhas estão brotando. Há vida nova e abundante por toda parte!
Mas, ao que parece, sua amada prefere ficar em casa, num lugar seguro, como uma pomba nas fendas das rochas na encosta da montanha. Ele deseja ouvir a voz dela e ver seu rosto, mas ela prefere a tranquilidade de sua casa.
A fim de crescer no amor que sentem um pelo outro, precisam estar juntos e ter experiências diferentes em lugares diferentes. É assim que aprendemos mais sobre nós mesmos e sobre nosso possível cônjuge.
Porém, esse princípio também se aplica ao nosso amor pelo Senhor. Devemos acompanhá-Lo em experiências novas e desafiadoras que aprofundarão nosso amor e que fortalecerão nossa fé.
As "raposinhas" (2:15) representam as coisas que vão, silenciosamente, destruindo os relacionamentos. As raposas entram nas vinhas para comer as uvas, e os guardas da vinha precisam levantar os ramos das plantas, para que não fiquem ao alcance desses animais. A sulamita ainda está tentando continuar seu trabalho como "guarda de vinhas" (1 :6) - desenvolvendo a própria personalidade e se preparando para o futuro - e sua relutância em acompanhar o rei a está privando de oportunidades para amadurecer.
O fruto de seu relacionamento ainda é tenro e precisa ser protegido e encorajado.[ 7 ]
No entanto, ela deixa claro que sua hesitação não altera seu relacionamento com seu amante, pois pertencem um ao outro, e ela sabe onde ele está e o que está fazendo (v. 16). O verbo "apascentar", no versículo 16, refere-se simplesmente a "dar de comer a um rebanho". Assim como ele foi ter com ela como um gamo saltando pelos montes (vv. 8, 9), também voltará e ela o receberá de braços abertos (v. 17).
O verdadeiro amor faz sonhar com o amado (3:1-5). A sulamita deita-se e sonha com o amado. Afinal, recusou um convite para estar com ele, e talvez sua consciência a esteja incomodando. Em seu sonho, ela deixa a segurança do lar e, durante a noite, procura por seu amado na cidade. Os vigias não sabem lhe dizer onde ele está, mas ela persiste e, por fim, o encontra e não o deixa se afastar. Seu desejo é que se casem, de modo que ela o leva para a casa de sua mãe e para o quarto onde a própria sulamita foi concebida. Isaque havia levado sua esposa Rebeca para a tenda de sua mãe, e lá havia consumado seu casamento (Gn 24:67). Essa é a primeira vez que a mãe da sulamita aparece, mas o texto não diz coisa alguma sobre seu pai (ver 3:4,11; 6:9; 8:2, 5).
Em algum ponto desse sonho, ou talvez no dia seguinte, ela admoesta as filhas de Jerusalém a deixarem que o Senhor dirija a vida delas e que não se adiantem à vontade de Deus (v. 5) - nem mesmo em seus sonhos!

REFERÊNCIAS

[ 1 ] É interessante comparar e contrastar o que Salomão escreve sobre o casamento em Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Provérbios exalta a monogamia e o prazer do amor conjugal (Pv 5:15-20) e também adverte contra a fornicação, o adultério e a "mulher adúltera" (Pv 2:1655; 5:155; 6:20-35; 7:1-27; 22:14; 23:27, 28; 30:20). Em várias ocasiões ao longo de Provérbios, Salomão admoesta o rapaz a escolher a esposa certa e, desse modo, não ter de viver com uma mulher crítica e resmungona! Eclesiastes também admoesta o homem a "gozar a vida" com a esposa de sua mocidade (9:9). Apesar de suas muitas esposas e concubinas, Salomão sabia que o verdadeiro prazer do casamento era resultado de uma vida inteira de dedicação a um só cônjuge, durante a qual os dois cresceriam juntos e aprenderiam a amar um ao outro cada vez mais.

[ 2 ] A palavra "amor" é usada no plural em 1:2 e 4; 4:10 e 7:12, e pode ser traduzida por "amar" ou "fazer amor", referindo-se às ações do rei e não apenas aos seus sentimentos para com a amada. Porém, a sulamita e o rei só consumaram seu amor depois do casamento (4:12 - 5:1 J. O sexo antes do casamento não era considerado aceitável em Israel. Se a noiva era acusada de pecado pré-conjugal, ela e seus pais deviam apresentar provas públicas da sua virgindade (Dt 22:13-21).

[ 3 ] Salomão a chama de "formosa" em 1:10 e 15; 2:10 e 13; 4:1 e 7; 6:4 e 7:1 e 6. Um ótimo exemplo a ser seguido pelos maridos em geral!

[ 4 ] A sulamita não está se referindo à rosa que conhecemos hoje. A imagem do lírio também aparece em 2:16; 4:5; 5:13; 6:2, 3 e 7:2.

[ 5 ] Essa admoestação repetida às filhas de Jerusalém é uma advertência contra o sexo antes do casamento. A sulamita deseja que permaneçam puras de mente e corpo para que possam entrar no pleno gozo do casamento no momento certo, com a pessoa certa. Não importa o que a lei e a sociedade permitem, a Bíblia não aceita de maneira alguma que um homem e uma mulher solteiros vivam juntos como se fossem casados. Ainda que legalizadas, certas coisas não são bíblicas.

[ 6 ] Aqui, a sulamita relata o que seu amante lhe disse. É importante que maridos e esposas carinhosos se lembrem do que disseram um ao outro, e que os cristãos se lembrem da Palavra de seu Rei.

[ 7 ] Alguns estudiosos acreditam que o versículo é dito pela sulamita como uma justificativa para sua relutância em ter uma aventura com o rei. Outros acreditam que os irmãos dela podem ter interrompido o diálogo e a lembrado de suas responsabilidades na vinha.

(Com base nos comentários de Warren W. Wiersbe)

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